a - Círculos bíblicos
b - Índice dos Círculos Bíblicos
c - Introdução: A experiência espiritual na Bíblia



Introdução:
A experiência espiritual no Antigo Testamento e no Novo Testamento

A experiência espiritual na Bíblia se concentra essencialmente na relação com Deus. No entanto, converte-se em geradora de relações entre os homens e em critério de leitura dos acontecimentos. A pergunta fundamental que percorre toda a Bíblia de um extremo a outro é a seguinte: Como e onde encontro o Senhor e como posso discernir sua vontade? Mas, junto com esta pergunta (ou melhor, dentro dela), existe a segunda: Quem é o homem? A experiência espiritual bíblica é teológica e antropológica simultaneamente.

Para esboçar, embora em largos traços, a experiência religiosa bíblica, não é suficiente descrever estaticamente a relação do homem com Deus, com seus semelhantes e com a história. Para captar o que há de específico na espiritualidade bíblica não basta indicar suas estruturas; é indispensável ver seu crescimento, o modo como se formou e sob o impulso de que fatores, quais são suas constantes e suas variantes. Por conseguinte, é preciso mostrar, de um lado, os fatores que originaram, estimularam, exigiram a experiência espiritual do homem bíblico, e, de outro, observar as expressões concretas (sempre sujeitas às condições históricas e, portanto, provisórias) em que se foi paulatinamente configurando.

Concretamente, no que se refere ao AT, descrevemos a experiência espiritual tal como se configurou nas diversas tradições, que são verdadeiras e autênticas correntes espirituais (tradições históricas, proféticas, sapienciais), levando-se em conta, à medida do possível, as diversas etapas da história de Israel, de sorte que se veja a incidência dos acontecimentos e das situações.

Passando ao NT, é importante mostrar claramente a relação de continuidade/novidade com a experiência do AT e a relação, muitas vezes polêmica, com a espiritualidade ambiental (judaica e gentílica).
Da revelação de Jesus e da experiência do grupo dos discípulos que estiveram em comunhão com ele, nasceram as diversas comunidades, que viveram com matizes originais a experiência espiritual comum: as comunidades sinóticas, paulinas e joânicas. Interessa-nos observar como se introduz a originalidade de cada comunidade no esforço para viver a própria experiência espiritual em situação precisa: comunidades de contexto judaico, judeu-gentio e helenista; comunidades que vivem em situações de perseguição e de marginalização; comunidades que se chocam com as primeiras heresias. Com isto, ficam indicados o âmbito, o método e a perspectiva de nossa exposição. Mas também fica claro que — sobretudo por razões de espaço, ainda que não exclusivamente — nossa exposição será fragmentária e episódica, embora não a ponto de nos impedir de perceber as estruturas básicas que definem a experiência espiritual bíblica.

Mons.Bruno Maggioni.